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24/06/2015

A mamografia e o risco de câncer de tireoide

CategoriaSaúde da Mulher AutorSonitec
A mamografia e o risco de câncer de tireoide

Notícias recentes sugeriram que o aumento na incidência de câncer da tireoide em mulheres poderia ser devido à exposição aos raios-x durante a mamografia. Estas afirmações, porém, são alarmistas e infundadas, uma vez que há diversos estudos publicados que mostram que o exame de mamografia não expõe a tireoide a doses consideradas nocivas de radiação. 

Nos últimos 50 anos, o screening mamográfico tornou-se um dos avanços mais importantes para a saúde da mulher, já que a partir do início dessa avaliação anual, a taxa de mortalidade por câncer de mama diminuiu mais de 30%. Em 1995, o Instituto Nacional do Câncer dos Estados Unidos realizou um estudo com quase 8 mil pacientes que tinham sido submetidos a exames radiológicos. Metade deles teve câncer de tireoide e o que queria determinar-se era se eles tinham recebido uma dose mais elevada. Os resultados, porém, indicaram que o risco relativo de câncer da tireoide não era associado significativamente com a dose acumulada estimada da glândula tireoide por exames radiológicos. Também o 7º Relatório sobre Efeitos Biológicos da Radiação Ionizante (BEIR VII), constatou que o risco durante toda a vida de padecer de câncer de tireoide induzido pela radiação é de 14 por cada 100 mil mulheres expostas a 0,1Gy. Portanto, assumindo a dose mais elevada que é de 4,7 mGy para a mamografia convencional, o risco durante toda a vida de desenvolver câncer de tireoide induzido por um exame de screening para uma mulher de 40 anos é de seis por trilhão, ou seja, um em 166 milhões. Se somarmos o risco para múltiplos exames, o risco acumulado de ter um câncer de tireoide por causa de um screening mamográfico anual em mulheres entre 40 e 80 anos é de aproximadamente 56 por trilhão. Isto é, uma em quase 18 milhões. 

Outra forma de quantificar a radiação recebida por estudos médicos é compará-la com a radiação natural. Esta é a radioatividade que existe na natureza, sem intervenção humana e a qual todos estamos expostos todos os dias. A dose média recebida por um ser humano é de aproximadamente 3mSv por ano, de modo que, durante uma mamografia bilateral com duas incidências, a glândula tireoide recebe o equivalente a 30 minutos de exposição natural. Dito de outra forma, a tireoide recebe, no decorrer de um ano, 17.520 vezes mais radiação natural do que a recebida durante uma mamografia. 

Deve-se destacar ainda, que a incidência de câncer da tireoide aumentou significativamente desde 1998 com a mesma taxa, tanto em mulheres quanto em homens (que não fazem mamografias). Isto indica que o aumento da incidência está, na verdade, ligado à melhoria das técnicas de diagnóstico, o que levou à identificação de formas subclínicas deste câncer em ambos os sexos, e não a um aumento na exposição à radiação das mulheres que realizam exames de mamografia. Tanto cálculos como medidas mostram que a quantidade de radiação atingindo a tireoide durante a mamografia é insignificante. A quantidade de radiação atingindo os ovários é ainda menor, devido à atenuação pela bandeja de suporte da mama e pelo tecido sobrejacente. 

Dessa forma, a Agência Internacional de Energia Atômica, não recomenda o uso do protetor de tireoide em exames de mamografia, devendo ser utilizado apenas nos casos em que o paciente o solicite, uma vez que a utilização dos protetores pode, inclusive, atrapalhar o exame, pois se não for bem colocado na paciente, pode ser a causa de repetição nos casos em que a sua imagem se sobrepõe à imagem da mama. 

Fonte: Alfredo Buzzi (Diretor Médico de Diagnóstico Médico S.A e Presidente da Sociedad Argentina de Radiología.

           Dra. Linei Augusta Brolini Delle Urban (Coordenadora da Comissão Nacional de Qualidade em Mamografia do CBR).